segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009


Seria de esperar tudo e mais alguma coisa de alguém que se acha tão digno como um pedaço de pureza. Estas multidões de imaculados fazem-me padecer da alma, de não conseguir suster o riso que me provocam.
De tanto pensar, inquieto a mente, com o desassossego de saber que não passo de uma reles porção destes depravados que contaminam a única fonte de genuinidade existente. Travo uma luta constrangedora, onde discrimino o apetite de ser a vítima e não a culpada, a sagrada e não a rameira, a dotada e não a besta. Escondo-me sigilosamente na convicção de ser amada e na certeza de amar, talvez, por momentos, seja tão autêntica que estas vidas paralelas que andam pela minha calçada se intimidem com a minha presença, e por isso, proclamam-me arrogante.
(momento de egocentrismo)


Um momento de loucura,
em que me perco na saudade imensa que percorre cada onda que rebenta na minha direcção.
Deixo o meu corpo molhar-se,
e sinto por instantes o prazer invadir-me a pele,
enquanto me percorres silenciosamente os lábios, com a suavidade indecorosa que me gravaste na memória.
E espero, secretamente, pelo novo momento dessa realidade,
feliz por saber que me guardas contigo…

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009


Ninguém repara, ninguém imagina o frenesim que o meu corpo suporta, insuportavelmente, …danço-te com a alma.

domingo, 8 de fevereiro de 2009


Voltei a sentir aquele sabor a mar…entrei pela portada entreaberta e vi uma vida, construída sem mim.
O cigarro estava lá, aceso, talvez por companhia, a cafeteira fumegava e a chama avivava-se na lareira improvisada, eu já não tinha frio, muito antes de ter entrado já não tinha frio.
A mesa anunciava duas pessoas, talvez tivesse perdido tempo demais, talvez seja melhor sair…
Avancei, fazendo o soalho estalar e percebi as memorias que me enchiam os pensamentos, bocados de tempo que me relembravam algo…as mesmas fotos, as mesmas molduras, a porta da sala continuava por arranjar. Éramos os mesmos. O Joca!tão pequeno quando saí mantinha o mesmo ar de cachorro endiabrado, abanou somente a cauda quando me viu, como se eu nunca os tivesse abandonado. Ele lembra-me! Na mesma televisão que presenciara longas noites de filmes a dois, acabados em um só saco-cama, ao lado da lareira, alguém anunciava o tempo. Tempo, pensei, que tempo?
Eu devia sair, eu fingi ter o tempo.
Então ouvi uma voz que me empurrou pelo corredor como se nunca tivesse fugido. Conhecia aquela casa há muito tempo, o tempo… E ele estava lá, ao telefone, era ele, foi sempre ele, e pressentiu-o, eu sei, e virou-se olhando-me com os olhos cor de mel que um dia eu quis conquistar…percebi, ele não vivia sozinho, a mesa esperava por mim, o quente da casa também, eu apenas saí por uma longa viajem que teve um fim, voltei ao meu mundo, voltei ao homem que viveu á minha espera, estou em casa.

sábado, 7 de fevereiro de 2009


'nos somos o que sonhámos, e vamos sonhando o que queremos ser..'

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009


O mundo tornasse intocável aos olhos do nada, sem deixar notar. O som do fio de água que corre na torneira atormenta-me o espírito. Sinto-me ignorante, ao ponto de não perceber as rotinas pequenas do cosmos que não vemos, como este momento que será apertado no meu tempo ate deixar de existir nas memórias do meu corpo. O gato preto percorre, ermo, a estrada molhada da avenida do Não Desejado, sem dar conta da ignorância que os seres inteligentes depositam sobre ele, talvez também viesse do universo invisível, quase que pisado pelos incultos que buscam a perfeita frustração. E por não querer aumentar a arrogância, fico-me, saciada pelo prazer de fingir que não faço parte desse mundo, que o gato é fantásticamente importante na minha observação, que daqui a instantes não voltarei a esquecer a existência do cosmos mágico e que realmente não o estou a fazer. Alguém puniu estas gentes, e não se lembrou de voltar a deixar a forma da poltrona da casa do senhor Ninguém contar a sua história. Talvez já tudo tivesse sido premeditado, ou talvez esta demanda à perfeição tenha cegado os olhos ao que de mais perfeito existe.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009


Amor,
Amor de sol,
Amor de vento,
Amor de chuva,
Amor de mar.
Amor que tem as cores da cor da água,
Amor que não é falado,
Amor de um beijo,
Amor mais que amado.
Amor que é toque de almas,
Daqueles amores que sabem a inocência.
Amor, dos amores da minha vida.
Amor que é calma,
Amor que é pecado,
Amor que somente é amor,
Por ser mais que amado.
Amor que não sabe do que fala,
Amor que não sabe do que ama.
Amor recordado nas letras,
Amor escrito na cama.
Amor dos que se guardam em tampinhas de iogurte,
Selado em fogo gelado.
Que não sabe se é febre
De amor mais que amado.
Amor,
Dos amores que dizem eu quero,
Amor que não pertence,
Amor que confia,
Amor que não possui,
Amor que é livre.
Amor,
Dos amores da minha vida.